18/12/2012 - Alimentação fora do lar é tema de pesquisa na FSP USP


Investigar a qualidade nutricional da alimentação fora do lar e sua relação com características sociais, demográficas e de estilo de vida é o objetivo da dissertação de mestrado "Alimentação fora do lar e sua relação com a qualidade da dieta de moradores do município de São Paulo: estudo ISA-Capital", de autoria da nutricionista Bartira Mendes Gorgulho, que ocorreu no último dia 13 de dezembro, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, sob orientação da Profa. Dra. Prof.ª Dr.ª Dirce Maria Lobo Marchioni, docente do Departamento de Nutrição.

Segundo Bartira, o que a motivou a realizar esta pesquisa, "foi a percepção que teve de que "a alimentação é considerada pela Organização Mundial da Saúde um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças crônicas não transmissíveis, ressaltando a importância do entendimento dos hábitos alimentares e seus determinantes no atual cenário epidemiológico. Entretanto, pouco se sabe sobre as características nutricionais e as características dos usuários da alimentação fora do lar".

A pesquisadora realizou um estudo estudo transversal, de base populacional, por meio de inquérito domiciliar, com amostra de 232 adolescentes e 602 adultos e idosos. Foi aplicado questionário sobre hábitos de vida, condições sócio-demográficas, atividade física e inquérito alimentar, por meio do recordatório de 24h. As características das refeições realizadas fora do lar foram investigadas pelo uso do Índice de Qualidade da Refeição (IQR), com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde e Ministério da Saúde brasileiro. A associação entre alimentar-se fora do lar e a qualidade da dieta, verificada por meio do Índice de Qualidade da Dieta Revisado para a População Brasileira (IQD-R) foi investigada pelo uso de modelos de regressão linear múltiplo. A razão de prevalência de pessoas consumindo refeições fora do lar e sua associação com as características sociais, demográficas e de estilo de vida foi analisada através da regressão de Poisson com variância robusta.

Os resultados encontrados indicam que dentre os 834 entrevistados, 32% relataram ter realizado ao menos uma das três principais refeições (café da manhã, almoço e jantar) fora de casa. Foram detectadas associações estatisticamente significantes entre consumir alimentos fora do lar e ter excesso de peso. Pôde-se observar a presença tanto de alimentos marcadores de uma dieta saudável, a exemplo do arroz e feijão, como de alimentos integrantes de uma dieta não saudável, como refrigerantes, salgados, sanduíches e pizzas. Almoçar fora de casa apresentou associação negativa com a qualidade da dieta, independente do sexo, renda familiar per capita e estado nutricional.

Considerando tais resultados, a pesquisadora, concluiu que alimentar-se fora de casa pode contribuir como fator de risco modificável para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), apresentando maior teor de gorduras total e saturada. No entanto, a qualidade nutricional das refeições realizadas dentro de casa também precisa ser melhorada.

Fonte:http://www.fsp.usp.br/site/noticias/mostrar/2756

Data: 12/12/2012