08/01/2013 - A cerveja não é mais a mesma

 


Sinopse

Cerveja com abóbora, chocolate, banana, mel, pimenta, coco, priprioca, avelã, bacuri, pétalas de rosa... A lista não tem limites e, talvez, vá até longe demais para quem está acostumado a só beber a tradicional Pilsen que comumente rola nas mesas por aqui e arrisca no máximo uma gelada escura. Mas há uma (grande) turma que está aberta a novas experiências nas mesas dos bares: as vendas dessas cervejas com algo a mais não param de crescer.
(Confira os locais e telefones ao lado)

— Nesse segmento com ingredientes exóticos, a venda aumentou mais de 20% desde dezembro de 2010 — diz Duda Simonsen, sócia da Beershop, que vende cerveja pela internet e faz entregas para o Brasil inteiro.

Sommelière de cervejas com graduação pela prestigiada Doemens Akademie, da Alemanha, mestre cervejeira e engenheira de alimentos, Cilene Saorin atesta que a prática de turbinar a cerveja com ingredientes a mais é aprovada com louvor pelos especialistas no assunto:

— A variação com ingredientes inusitados não fere a doutrina cervejeira. A escola cervejeira alemã é muito regida pela ortodoxia, com os ingredientes básicos água, malte, lúpulo e levedura, mas a belga trabalha a inventividade de forma muito ampla. E isso é tão cervejeiro quanto a ortodoxia da cerveja alemã.

Os números confirmam o sucesso:

— Em 2012, importamos uma média de 40 contêineres só de belgas. Para 2013, nossa previsão é passar de 50 — calcula Hélio Junior, sócio da importadora Buena Beer.

A curiosidade é um dos fatores que levam os cervejeiros mais novos a experimentar rótulos não convencionais, diz o beer sommelier do Lapa Café, Marcos Vinícius Duarte, que promove degustações no bar a R$ 55 por pessoa.

— Nomes chamativos, como as diabólicas Satan, Belzebuth e Lúcifer, ou as de chocolate, como a Youngs Double Chocolate, são pedidas em mesas longas, para brincadeiras. Já num segundo momento, com a experiência, vem o interesse pela composição e pelos sabores diferentes.

Além dos ingredientes e do nome, o inusitado às vezes está na história por trás da bebida. No Beer Jack, casa com 230 opções de cerveja em Botafogo, um caso famoso nos papos de mesa de bar por ali é o da visita do escocês James Watt, dono da BrewDog. Cervejaria marcada pelos rótulos engraçados, a BrewDog tem entre seus exemplares a Trash Blonde, nome “em homenagem” à uma loura que, conforme Watt contou no bar, não valia nada, mas por quem ele era apaixonado.

Histórias saborosas à parte, o lugar de protagonista cabe mesmo aos ingredientes. Marcos Vinícius Duarte reforça que quem entende do assunto assina embaixo e recomenda as cervejas consideradas exóticas pela maioria:

— Elas são muito bem-vindas. Em geral, são rótulos preparados com ingredientes selecionados, materiais mais finos e, muitas da vezes, de produção artesanal. É diferente da produção em larga escala. E isso se traduz no sabor. São rótulos respeitados.

Cilene Saorin acredita que o aumento do consumo dessas cervejas por aqui se deve aos avanços econômicos alcançados no Brasil e também ao fato de que o país não é mais uma nação de jovens. 

— Além do fator econômico, um amadurecimento gastronômico vem com a idade. As pessoas substituem quantidade por informação, qualidade. A diversidade de ingredientes abre as oportunidades oferecidas pelo mundo das cervejas, que é muito mais do que a loura gelada. O que determina isso é o quanto a pessoa está aberta a novidades. Quanto mais aberta à experimentação, mais feliz eu sou. Se você se fecha, limita a sua oportunidade de felicidade.

(Cláudia Amorim e Renata Monti)


Fonte: http://rioshow.oglobo.globo.com