14/01/2013 Comer fora ficou 9,57% mais caro

A estiagem enfrentada pelo Estado em 2012 e o crescimento da demanda contribuíram para o aumento

Comer fora de casa deixou de ser algo reservado a ocasiões especiais e passou a ser uma necessidade para muitas pessoas que precisam de praticidade, rapidez e também de comodidade para conseguir economizar tempo e conciliar as diferentes atividades do dia a dia. No entanto, desfrutar das vantagens de que a alimentação fora do lar dispõe tem custado cada vez mais caro aos consumidores. Ao longo do ano passado, o valor da alimentação fora do domicílio subiu 9,57% em Fortaleza.

A alta na alimentação fora de casa em Fortaleza foi a quinta maior do País e também ficou acima da média nacional (9,51%) FOTO: JULIANA VASQUEZ


O índice ficou acima da média nacional (9,51%) e foi o quinto maior do País, atrás apenas de Belém (12,82%), Salvador (12,40%), Recife (10,24%) e São Paulo (10,16%).

O aumento da alimentação fora de casa em Fortaleza também ficou acima da inflação geral na Capital para o ano de 2012 (6,70%) e da inflação nacional no período (5,84%). Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o economista Alex Araújo, dois fatores têm contribuído para o aumento de preços da alimentação fora do lar acima da inflação geral: a maior demanda e a seca.

Maior demanda

"De um lado, temos um crescimento da demanda. O mercado de trabalho está aquecido. As pessoas estão com mais renda e com menos tempo para se alimentarem em casa.

Esse efeito tende a se reduzir à medida em que a oferta se ajustar à demanda, mas isso não deve ocorrer em curto prazo. Em 2013, o IPCA geral do País deve ser de 5,5% e a alimentação fora de casa deve continuar pressionando a inflação", afirma.

Seca influencia

Com relação à estiagem enfrentada pelo Ceará em 2012, o economista destaca que ela também tem influenciado os preços da alimentação fora de casa, uma vez que muitos itens são produzidos localmente. "A seca tem afetado muito a oferta de alguns produtos cultivados aqui, como legumes e hortaliças. Outros preços são definidos nacionalmente, como o do feijão, que também subiu muito", destaca, acrescentando que a estiagem ainda deve afetar, por alguns meses, o preço dos alimentos.

Conforme o IBGE, todos os itens avaliados pelo IPCA que compõem a alimentação fora do domicílio apresentaram alta na Capital cearense ao longo de 2012. Os maiores aumentos foram registrados em refrigerantes e água mineral (13,11%). Em seguida, veio a cerveja, com alta de 11,90%. As demais elevações ocorreram nos seguintes itens: doces (10,27%), outras bebidas alcoólicas (9,32%), refeição (9,30%) e lanche (8,91%).

Para quem costuma se alimentar com frequência fora de casa, o aumento nos preços já é sentido há algum tempo no orçamento mensal. Este é o caso da consumidora Cinthia Mara Bezerra, que costuma realizar a maior parte das refeições em restaurantes.

"Saio de casa para trabalhar e só volto para casa à noite. Então, só como fora.

Nunca parei para ver o quanto eu gasto com alimentação, mas acredito que, por mês, devo gastar de R$ 400,00 a R$ 500,00. E tenho percebido que comer fora tem ficado mais caro", conta.

SAIBA MAIS

Maiores altas no país em 2012

Belém: 12,82%

Salvador: 12,40%

Recife: 10,24%

São Paulo: 10,16%

Fortaleza: 9,57%

Rio de Janeiro: 8,80%

Porto Alegre: 8,74%

Belo Horizonte: 8,47%

Curitiba: 7,69%


Fonte: diariodonordeste.globo.com