20/03/12 - Sete empresas de alimentação buscam certificação ABNT em Cuiabá

“Ao cumprir as normas eu ganhei tanto em qualidade quanto em economia”. Este é o relato de Valdir Araújo, proprietário de uma das mais antigas e tradicionais peixarias de Cuiabá - Peixaria Okada - destino certo de turistas brasileiros e estrangeiros em visita à capital mato-grossense. No estabelecimento, são servidos pratos regionais feitos com peixes da bacia do Pantanal - como pacus, pintados e piraputangas, selecionados pelos próprios turistas antes do preparo. Valdir Araujo é um dos empresários locais que está buscando a certificação ABNT - NBR 15635 – ISO de Segurança Alimentar em Mato Grosso. Os restaurantes: Serra (Goiabeiras), Natural Clube, Confrade, China in Box I e II, e a sorveteria Nevasca, também já passaram pela auditoria e estão na última fase antes da certificação.

Em um ano, Araújo teve de adaptar vários aspectos da empresa, inclusive a parte física. “Não digo que seja fácil, depende muito da vontade do empresário em melhorar, só que o resultado é tão visível que minha vontade é de buscar muito mais”. Segundo ele, a definição dos processos apenas foi possível pela atuação ativa da consultora do Sebrae que acompanhou todas as fases de adaptação da empresa desde o começo. “Não sabíamos nem preencher uma planilha, ela teve paciência em nos explicar e motivar a equipe para dar continuidade”. Agora, passada a fase mais difícil, ele está aprimorando os últimos detalhes e já sonha com o selo. “Já estou pensando como vou divulgar isso”. A ansiedade é compartilhada com o sócio proprietário da China in Box de Cuiabá, Aldo Nakao, que também conta os dias para receber a certificação.

Para Nakao a fase de adaptação foi mais tranqüila já que a empresa é uma franquia. “Nós já seguíamos boa parte das normas. Foram necessárias apenas algumas adaptações”. Mesmo assim, o empresário também teve de superar alguns obstáculos, o maior deles foi unir a equipe para que todos entendessem que as mudanças eram necessárias e fazem parte do ideal do estabelecimento. “Não adianta só a gente entender, esse é um comprometimento de todos, no fim, eles vestiram a camisa e tudo deu certo”.

De acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), existem no Brasil mais de um milhão de estabelecimentos comerciais que servem alimentos e apenas 31 possuem o selo. Caso os 7 estabelecimentos de Mato Grosso consigam a certificação, o Estado será o segundo no ranking nacional em número de empresas com o selo de boas práticas na alimentação. No topo da lista está o Rio Grande do Sul (9), seguido de Minas Gerais (7), Rio Grande do Norte (6), Espírito Santo, Paraná e Ceará (3). Mais de 43 estão em fase de adaptação no país.

A diretora do Sebrae em Mato Grosso, Leide Katayama, explica que o processo de certificação dos empreendimentos alimentícios foi uma das primeiras metas do Sebraetec. O programa de financiamento foi criado justamente para permitir o acesso a conhecimentos tecnológicos, visando a melhoria de processos e produtos. Hoje, o custo de uma certificação é de cerca de R$10 mil, mas com o subsídio do Sebrae esse valor pode cair em até 80%. “Só não certifica quem não quiser”, enfatiza a diretora. Segundo ela, as empresas que toparam o desafio devem servir como modelo para que outras sigam o mesmo caminho. “Não é mais uma questão de escolha e sim uma exigência do mercado, e acima de tudo uma decisão estratégica para garantir o futuro da empresa”.

Passo a passo

Para conquistar a certificação é necessário seguir rigorosamente uma série de exigências da ABNT. Dentre elas, estão os cuidados desde a compra do alimento, manipulação, cocção, treinamento pessoal, até o descarte das sobras. Entre os benefícios da padronização está a melhoria da qualidade dos produtos e serviços, redução no desperdício, aumento da competitividade, satisfação e fidelização do cliente, além de marketing garantido.

Todo o empreendimento que oferecer algum serviço de alimentação – restaurante, bar, padaria, sorveteria e outros - pode se candidatar ao selo. Para isso, também será analisado o tempo de mercado, número de colaboradores e compromisso da diretoria. Todo o processo de preparo destes estabelecimentos é acompanhado por um consultor.

É importante salientar que das 16 empresas que entraram no processo de certificação de 2011, apenas sete chegaram até a fase de auditoria. De acordo com a gestora do projeto no Sebrae MT, Edcleide Nobre, poucas empresas estão dispostas a realmente cumprir as normas exigidas, o que fortalece ainda mais a imagem daquelas que buscam a qualidade nos serviços. No entanto, ela deixa claro que não é necessário ser grande para ter qualidade. “Não é o tamanho da empresa que importa e sim o comprometimento dela em buscar qualidade sempre”.

A certificação das aprovadas no processo deve acontecer dentro de um ou dois meses. O sucesso do projeto já está motivando outras empresas. Até agora, cerca de cinco estabelecimentos aguardam na fila para a qualificação. Eles devem começar a fase de padronização em maio. Empresários interessados podem entrar em contato com o Sebrae pelo telefone da Central de Relacionamento com o Cliente ( 0800 570 0800 ).

 

Fonte: O Documento