08/02/2013 Defesa de preço mínimo para o álcool, como ocorre com o cigarro, ganha força com pesquisa

 

 

Política do preço mínimo do álcool resultou em queda da mortalidade relacionada ao consumo, no CanadáPolítica do preço mínimo do álcool resultou em queda da mortalidade relacionada ao consumo, no Canadá Foto: Agência O Globo

 

O Globo
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RIO- A matemática é simples: nos locais onde foi estabelecido um preço mínimo para bebidas alcoólicas, o número de mortes relacionadas ao consumo caiu. Nos lugares onde havia mais lojas de bebida por metro quadrado, a mortalidade aumentou. A conclusão foi de pesquisadores canadenses depois de um estudo feito entre 2002 e 2009, na província da Colúmbia Britânica, e divulgado ontem. Na opinião de especialistas brasileiros, o argumento é ótimo para países que pretendem adotar medidas semelhantes mas, no Brasil, essa munição só foi disparada contra o cigarro, outro inimigo da saúde pública.

Quanto ao tabaco, a política de preço mínimo entrou em vigor desde o fim do ano passado, com a obrigação de os postos de venda não entregarem nenhum maço por menos de R$3. Analice Gigliotti, chefe do Setor de Dependentes Químicos da Santa Casa de Misericórdia do Rio, garante que uma política semelhante no Brasil para o álcool teria impacto imediato no consumo.

— Nos países onde se estabeleceu o preço mínimo de cigarro, essa se tornou a medida mais eficaz para redução no consumo. No caso do álcool, não seria diferente e teria impacto direto nas mortes no trânsito. O preço da cachaça no Brasil é absurdamente baixo, certamente o motivo pelo qual há tantos dependentes da bebida no Brasil.

Ano passado, a Escócia marcou um preço mínimo para o álcool. A Rússia fez o mesmo com a venda de vodka. Analice, que pesquisa o impacto do aumento dos preços do cigarro — que vem sofrendo uma sistemática alta de impostos pelo menos desde 2006—, gosta do caso dos EUA, onde há controle maior sobre a quantidade de pontos de venda de bebida, e de Londres, cidade onde os pubs têm hora para fechar.

— A política contra o álcool no Brasil é incipiente na comparação com o cigarro. Basta uma lei federal, por exemplo, para proibir a venda de álcool em supermercados. Ou uma lei para reduzir a densidade dos bares nas cidades.

A pesquisa canadense, do Centro de Pesquisas sobre dependência da Universidade de Victória, concluiu que, na província pesquisada, um aumento de 10% no preço do álcool resultou em queda de 32% dos casos de morte tidas como “inteiramente relacionadas com o consumo de bebidas”. Ao mesmo tempo, o estudo mostra que nos lugares na província onde houve um acréscimo de 10% no número de lojas de bebidas alcoólicas, houve mais 2% de casos de mortes atribuídas à droga lícita.

A psicanalista Ivone Ponczec, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre uso de drogas (Nepad), da Uerj, concorda com os efeitos da política de preços para uma parcela dos dependentes de álcool, mas não acredita em solução isolada:

— O dependente grave vive para pagar o que for pela droga em que está dependente. O preço mínimo não pode ser uma solução solitária. A Lei Seca no trânsito, por exemplo, tem impacto preventivo, assim como tiveram as políticas de restrição ao cigarro.



Fonte: http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/defesa-de-preco-minimo-para-alcool-como-ocorre-com-cigarro-ganha-forca-com-pesquisa-7520856.html#ixzz2KK7HaWgE

Data: 08/02/2013