19/03/13 Ministério Público volta a proibir a venda de cerveja em estádios
João Marcos Coelho
Estádios vão continuar sem comercializar cerveja
Decisão : Estádios vão continuar sem comercializar cerveja

 

Volta Redonda

Na segunda-feira, a Federação de Futebol do Estado do Rio (Ferj) havia liberado a venda de cerveja nos estádios, para competições organizadas pela entidade. Mas, com base nos laudos técnicos apresentados pelo Ministério Público (MP) na quinta-feira, a primeira liminar foi suspensa.

A liberação para a comercialização da bebida tinha a justificativa de que o Estatuto do Torcedor não menciona diretamente a proibição do consumo de cerveja nos estádios.

Segundo o presidente da Ferj, Rubens Lopes, a liminar do MP ainda pode ser contestada, pois a Fifa (Federação Internacional de Futebol e Associado) - autoridade máxima do esporte - autoriza a venda de cerveja em seus jogos.

Ainda sobre a nova determinação, a Guarda Municipal (GM) de Volta Redonda enfatizou com ou sem a venda de bebida alcoólica, as rondas continuarão dentro e fora Estádio da Cidadania. Mesmo porque no entorno, existem bares.

- Nas proximidades do estádio existem bares, onde os torcedores podem tomar cerveja antes de entrar para os jogos. A Guarda vai continuar atuante na fiscalização de motoristas que desrespeitarem a Lei Seca - enfatizou o comandante da Guarda, major Luiz Henrique Monteiro Barbosa.

Os mais interessados

De acordo com a representante da torcida organizada Guerreiros do Almirante (GDA) Vasco da Gama, Fabiana Miranda de Andrade, a liberação de cerveja poderia gerar transtornos no retorno para casa. Principalmente porque bebida e direção não combinam.

- Muitas pessoas vão aos estádios de carros. Com a liberação, ficaria com receio de aumentar o número de acidentes na hora de voltar para casa - comentou.
Sobre um ponto de vista diferente, o Presidente da torcida organizada Loucos Pelo Botafogo, na região, Toni Valentin comentou que é a favor da iniciativa de se vender cervejas dentro dos estádios.

- Com a liberação as filas iam diminuir. Os torcedores hoje em dia ficam bebendo fora do estádio e deixam para entrar faltando 15 minutos para o início dos jogos. Eles poderiam entrar antes para consumir sua bebida e conversar com os amigos - frisou.
Toni ainda reforçou que, sobre a questão da violência, não se pode culpar a venda de bebidas, visto que o verdadeiro torcedor mesmo bebendo, tem o amor pelo seu time como objetivo maior.

- Sobre a questão de aumentar da violência, a venda de bebidas dentro dos estádios não mudariam nada. No [estado] Rio, o torcedor não briga, a segurança é reforçada - enfatizou.

O publicitário Alessandro Itaboray, também se mostrou favorável à medida, visto que a bebida é uma das maiores patrocinadoras do futebol no país.

- O torcedor tem que saber de seus limites. Com a volta da venda de cerveja dentro dos estádios, este mesmo fã de futebol deixaria de ficar em casa ou no bar e comemoraria com seus amigos no campo - salientou.

Segundo a federação de futebol, o público reduzido na primeira etapa do campeonato carioca foi fator fundamental para a tentativa de liberar a venda de cerveja.

Lei e liminares

Na semana passada, a Ferj havia divulgado um comunicado liberando novamente a comercialização de cerveja nos estádios. Na determinação, bares e pontos autorizados de venda, localizados dentro dos estádios, estariam autorizados a comercializar a bebida. Mas com algumas regras. A circulação de latas e garrafas continuaria restrita às tribunas e às cadeiras numeradas. Para as arquibancadas apenas em copos descartáveis.

A venda de bebidas alcoólicas foi proibida em 1988, com o intuito de conter a violência dentro dos estádios. De acordo com a confederação, a decisão foi tomada com o objetivo de proporcionar mais segurança.

A decisão integrava a lei de procuração do CNPG (Conselho Nacional de Procuradores Gerais do Ministério Público da União). Em estudo foi divulgado que a não comercialização de bebidas durante as partidas diminuiu em até 70% os níveis de violência entre torcedores.

Apesar da proibição de venda, a publicidade destes produtos dentro dos estádios, nas propagandas nos intervalos, e no patrocínio de times continuam.