25/03/13 Produtos de marca própria ganham espaço nos mercados

Os produtos de marca própria conquistam cada vez mais espaço nas prateleiras das grandes redes de varejo. Só no ano passado, movimentaram quase R$ 3 bilhões. Uma pequena empresa de alimentos, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, investe neste setor. E hoje, a marca própria representa 28% do faturamento do negócio.

Essa empresa fabrica salgadinhos e torradas para grandes redes varejistas. Os produtos levam a marca do cliente. Trabalhar com produtos de marca própria foi a oportunidade de mercado que o empresário Fabian Vidoz apostou há 10 anos.

“A gente teve uma proposta de uma rede de supermercados aqui da região para poder desenvolver produtos que a gente já produzia e com auditorias feitas por eles”, disse Vidoz.

Para investir na produção de marca própria, o empresário fez algumas adaptações - mudou para um endereço maior, comprou equipamentos e passou a fabricar novos produtos.

“O consumidor hoje pede produtos diferenciados, com uma qualidade superior, com preços competitivos e o nosso produto, torradas, por exemplo, ele enquadra perfeitamente dentro desse novo consumidor.”

A linha de panificação é a mais representativa, corresponde a 80% de tudo que é produzido aqui. O segredo para a boa qualidade dos produtos está na massa feita com farinha especial.

Depois de pronta, outros ingredientes são acrescentados para dar o toque especial à receita. Em seguida, os pães são assados e seguem para o corte. A máquina desenvolvida pelo empresário é o que garante às torradas, fatias bem fininhas, um diferencial importante no mercado.     
Já na linha de salgadinhos, o maior volume de produção é de batatas fritas, tipo chips e palha. O processo é automatizado.

As batatas entram em um tambor, onde são descascadas e cortadas em tiras bem fininhas. Depois são lavadas para retirar o amido e evitar que fiquem escuras. Em seguida, elas vão para esta centrífuga onde é retirado o excesso de água. Por fim, são fritas, salgadas e embaladas.
“É um mercado excelente. um mercado que você tem oportunidades de você colocar o seu produto no ponto de venda com uma qualidade tão boa quanto do líder e com um preço competitivo”, disse Vidoz.

A empresa produz cerca de 370 mil unidades de produtos de marca própria por mês, o que representa quase 30% do faturamento mensal, estimado hoje em R$ 390 mil.
“O mercado está ávido dessas novas marcas. Os lideres estão aí, sabem trabalhar muito bem, nós precisamos nos adaptar para chegar à qualidade do líder, com preço mais competitivo, estando junto da marca do próprio varejista”, afirmou Vidoz.

A empresa de Fabian Vidoz fornece os produtos para pequenos comércios, indústrias e grandes redes de fast food e supermercados.

Em um supermercado, também no ABC paulista, os clientes já estão habituados a comprar produtos que levam o nome do supermercado.

“Os produtos de marca própria estão em quase todos os setores da loja. No de alimentação eles ocupam boa parte das prateleiras e o que mais chama atenção do consumidor é o preço” disse Evelin Avancini, de Santo André.

“Geralmente o preço é um pouquinho menor, né, então fica mais acessível a compra, e o produto não deixa a desejar para as marcas concorrentes,” disse a cliente Camila Colman.

“A gente percebe que a qualidade é a mesma, uma vantagem no preço, mas basicamente o produto é o mesmo e até, às vezes, com melhor qualidade”, afirmou o cliente Maurício Barbieri.

Se é bom para a clientela, é bom também para o lojista. “A gente fideliza o nosso cliente. Então o cliente só acha o nosso produto aqui, então é uma estratégia vencedora”, disse Marta Lúcia Borges, gerente de supermercado.

Segundo a associação brasileira de marcas próprias, em 2012, o mercado movimentou R$ 2,8 bilhões. Nos últimos anos, o crescimento foi superior a 5%. Para este ano, a expectativa é atrair ainda mais consumidores.

Nos últimos 10 anos, no Brasil, nós trabalhamos muito em comunicar para o consumidor o custo benefício do produto marca própria. Ele consegue comprar um produto, cerca de 15% a 20% mais barato, levando para casa exatamente a qualidade que ele espera desse produto. E ano a ano, a gente consegue melhorar essa qualidade, consegue comunicar isso pro consumidor e consegue ter essa percepção pelo consumidor final” disse Neide Montesano , presidente da ABMAPRO.

“O segredo é a equipe. sem uma boa equipe você não consegue. Você consegue colocar inovação, consegue colocar equipamentos, consegue colocar uma série de coisas pra chegar ao consumidor melhor, mas sem uma boa equipe você não consegue fazer absolutamente nada, tanto do chão da fábrica até a entrega do produto no consumidor”, disse Fabian Vidoz,empresário.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/pme/noticia

Em: 25/03/2013