28/03/12 - Classe C dita rumos do mercado

 

Ela não para de crescer. Seu interesse por imóveis, carros, roupas de grife, eletroeletrônicos e serviços de beleza avançam na mesma proporção, definindo os rumos do mercado. Fruto de uma tendência iniciada na década passada, puxada pelo avanço da renda e do emprego, a classe de C se transformou num verdadeiro motor da economia goiana e já representa 55% da população da Grande Goiânia.

O porcentual é praticamente o mesmo do País. Segundo pesquisa publicada ontem pelo Cetelem BGN, a nova classe média brasileira corresponde a 54% da população brasileira. Em Goiás, essa classe, cuja renda familiar mensal varia de R$ 1,1 mil a R$ 1,9 mil, de acordo com Ipsos Marplan, acolheu 520 mil novas pessoas em cinco anos, nas 13 cidades integradas à capital – algo capaz de lotar mais de dez estádios do porte do Serra Dourada, que tem capacidade para 50.049 pessoas.

Esse crescimento da classe C vem revolucionando a economia local. O interesse da nova classe média pelo primeiro carro, pela primeira casa própria, por idas ao shopping ou ao comércio de rua para consumir vem fazendo com que os indicadores econômicos locais alcancem patamares de crescimento vultuosos. Na prática, o papel da classe A e B, de guiar a economia goiana, agora, é compartilhado com a C.

“A nova classe média é capaz de definir os rumos da indústria, do comércio e da agricultura e de todo o espaço urbano. O mercado sabe disso e vem mudando também a sua forma de lidar com a nova realidade. O seu consumo em volume é, em parte, justificativa para o crescimento da riqueza do Estado e do País, embora a classe A e B gastem mais”, avalia o diretor da Partner Corporate, Geraldo Rocha.

O analista do Data Popular, Renato Meirelles, confirma a descrição comparando o cenário nacional com o goiano. “O pessoal da antiga classe C comprava o que cabia no bolso, ele não tinha muito poder de escolha. Ele não tinha crédito, ele não tinha muita chance. Hoje ele pode escolher, e por isso ganhou importância considerável na economia nacional. Isso ocorre em todo o País”, descreve.

Prova disso está na venda de imóveis. Vedete do governo na área habitacional e destinada principalmente para família da classe C, o programa Minha Casa, Minha Vida representou quase metade dos financiamentos imobiliários fechados pela Caixa Econômica Federal (CEF) em 2011 no Estado. Dos 21.431 contratos firmados apenas no segundo semestre do ano, cerca de 10 mil receberam o incentivo.

 




Apartamento

Entre os beneficiados está o auxiliar de produção Fábio Lopes Santiago, de 32 anos, que comprou ano passado um apartamento na Vila Maria, em Aparecida. O investimento na casa própria só foi possível com o aumento da renda. Ele e a esposa tiveram reajuste de mais de 50%. A mudança foi suficiente para comprar um apartamento de dois quartos, sala e cozinha, capaz de abrigar a família de quatro pessoas e fugir do aluguel.

Fábio conta que deu uma entrada de 20% do valor do imóvel, com balões por dois anos. Com o subsídio de R$ 17 mil, a renda familiar de R$ 1,8 mil foi suficiente para a aprovação do crédito. Ele vai pagar o imóvel em prestações de R$ 365 por mês – quase 20% da renda– durante 30 anos. “Nunca imaginei que pudesse comprar uma casa para a minha família e dizer que este imóvel foi adquirido com nosso suor”, ressalta.

O sonho da primeira casa da classe C transmuta para o primeiro carro. Mesmo com o prazo de financiamento menor e os juros maiores, as concessionárias goianas conseguiram bater novo recorde em 2011 e avançar 2,1% nas vendas de automóveis e comerciais leves. Mais de 117 mil carros ganharam as ruas do Estado. O índice é o maior desde o início da série histórica, em 2004, e foi puxado pela venda de carros populares, os mais adquiridos pela classe C.

O último recorde havia sido registrado em 2010, quando 114.723 unidades foram comercializadas. Levando em consideração automóveis, comerciais leves e também motos, caminhões, ônibus e implementos rodoviários, as vendas no ano passado chegaram a 225.613 unidades. “Na prática, ano após ano a venda de veículos vem aumentando, graças à classe C.

 

Fonte: TopClip - O Popular