28/03/12 - O problema não é o bar, nem o garçom, mas o transporte

 

Trânsito, estacionamento, segurança e acessibilidade são os itens que mais precisam melhorar, na opinião dos frequentadores de bares e restaurantes de Goiânia. Os dados são da Pesquisa com os clientes – Festival Bar em Bar 2011 (veja quadro), encomendada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO).

Os itens estão correlacionados e envolvem atribuições do poder público. Por isso, o presidente da Abrasel, Rafael Campos de Carvalho, vai apresentar as informações ao secretário estadual da Segurança Pública e Justiça, João Furtado Neto, ao prefeito Paulo Garcia (PT) e ao presidente da Agência Municipal de Trânsito (AMT), Senivaldo Silva Ramos. “Na pesquisa há apontamentos do que precisa melhorar. Queremos apresentar isso para as autoridades públicas.”

O levantamento, feito em novembro passado com 311 pessoas, reafirma questões que já eram alvo de reclamações do goianiense. Falta de estacionamento e trânsito conturbado são problemas crônicos na região do Setor Marista, mais especificamente nas ruas 146 e 147. Como problemas correlatos da falta de segurança e fiscalização efetiva surgem flanelinhas, que cobram até R$ 10 adiantado por uma vaga na via pública, e motoristas que estacionam sobre calçadas e em frente a garagens.

Apontado como o item que mais precisa de melhoria, o trânsito divide opiniões dos clientes. Segue trecho do relatório: “A questão do trânsito nas proximidades dos bares e restaurantes ainda divide bastante as opiniões. Por meio da pesquisa, pudemos registrar que 34% dos clientes consideram ‘regular’, outros 32% consideram ‘bom’ e 23% consideram ‘ruim’. Este dado converge com a questão da falta de estacionamento, o fluxo de veículos intenso, e as ruas, normalmente muito estreitas.”

A insegurança quanto aos flanelinhas e os problemas de trânsito se estendem a outras regiões. Fernando Machado e Silva, proprietário do Bar Celson & Cia, no Setor Oeste, afirma que estes são as reclamações mais frequentes de quem vai ao estabelecimento. “Os maiores problemas atualmente são segurança, estacionamento e trânsito. Tem flanelinha que pede R$ 10 adiantado”, afirma.

 





Fiscalização

 

A AMT dispõe de uma equipe noturna, com quatro agentes e uma ou duas viaturas que, a cada dois dias, faz a rota dos bares. Esta é, por enquanto, a única medida preventiva para controle de trânsito e local de estacionamento das imediações de bares.

“A fiscalização é periódica. Não é diária porque temos outras atribuições no período noturno. Temos a rota de bares e a rota de faculdades”, diz o diretor de Fiscalização da AMT, Vicente José Mendonça Jr.

No turno da madrugada a AMT dispõe de seis agentes e três viaturas, que têm como objetivo maior o atendimento a acidentes de trânsito. Vicente Jr. afirma que, a partir de abril, a equipe da madrugada ganhará mais um supervisor. “Vamos direcionar o efetivo da madrugada também para este tipo de atendimento.”

Uma das medidas adotadas por alguns bares para minimizar o problema de estacionamento é oferecer manobristas pagos para estacionar. O relatório da pesquisa mostra que os clientes evitam usar o serviço devido ao preço e a falta de confiança.

“A questão do estacionamento é reclamação recorrente dos clientes, visto que a maior parte dos estabelecimentos não oferece estacionamento próprio e quando oferecem serviço de valets o preço é considerado alto pelos clientes que não confiam tanto neste tipo de serviço.”

Os pesquisadores se focaram em 31 bares e restaurantes que participaram do Festival Bar em Bar 2011, realizado há um ano. Segundo o presidente da Abrasel, a amostragem tem capilaridade em toda a capital.

 

Fonte: TopClip - O Popular