16/o5/2013-Com renda maior, emergentes vão adquirir curiosos hábitos de consumo até 2016



RIO - Assim como observado no Brasil, cada país em uma escala diferente, outros emergentes estão dando prioridade à compra de produtos mais sofisticados. Olhando para as despesas das famílias e as tendências na China, Índia, México, África do Sul e Turquia, em contraste com os mercados desenvolvidos dos Estados Unidos e Reino Unido, pesquisa inédita da consultoria britânica Mintel tenta mostrar como a melhoria de renda e a facilidade em adquirir novos produtos vai alterar os gostos dos consumidores destas regiões nos próximos três anos.

Na África do Sul, a tendência entre 2013 e 2016 será comprar pela internet. Vale de tudo, mas o boom no segmento on-line será a venda de vestuário. Já na Turquia, explodirá o comércio de produtos de beleza. Os indianos vão alavancar o consumo de produtos para o lar, em especial, lava-louças. Por sua vez, chineses e mexicanos vão continuar comprando cada vez mais comida e bebida, enquanto nos Estados Unidos e Reino Unido, onde a crise econômica trouxe efeitos mais graves para o consumo da população, a ordem é economizar nos alimentos.

— Os homens da África do Sul, ao contrário do Brasil, não gostam de fazer compras. Eles são os principais reponsáveis pelo crescimento do comércio on-line — afirma Peter.

Regulação, fatores culturais — como a religião — as atitudes em relação à saúde e à beleza e os esforços de marketing das empresas estão afetando a forma como as famílias gastam dinheiro. Um movimento interessante será o comércio eletrônico.

— Mas as diferenças entre estes mercados continuarão gritantes — afirma ao GLOBO Peter Ayton, analista global de consumo na Mintel.

Devido ao tamanho do mercado, a China vai liderar este aumento, mas também será visível na Índia e África do Sul, locais onde fazer compras por meio da internet passa a atingir grupos anteriormente inacessíveis.

— Esta é uma tendência nos países emergentes como um todo. Índia e China têm tido um crescimento maior do consumo doméstico mas em quantidade, o mercado é maior — analisa Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC). — Na China, a demanda é por alimentos, assim como na Índia, mas aqui já nos diferenciamos. Crescem ainda mais os serviços, já que as famílias estão procurando investir mais, por exemplo, em educação.

Homens turcos, os novos metrossexuais

Vêm da Turquia e Índia os responsáveis pelo maior crescimento do setor de beleza e cuidados pessoais. A China não disponibilizou estas informações para a consuloria. Em busca de mais cuidados com o corpo e com o a saúde, os turcos estão gastando milhares de dólares em produtos de beleza.

— Eles (turcos) estão ficando mais brasileiros — brinca o analista global da Mintel. — Eles são os mais novos metrossexuais do planeta. Diria que eles vivem hoje uma tendência já vista no Brasil já há dez anos. Apesar das pressões da moda, a fidelidade à marca também é forte.

Os gastos dos turcos chegarão, em média, a US$ 60 por pessoa chegando perto dos amigos africanos. Ainda é baixo diante dos quase US$ 200 gastos por pessoa no Reino Unido.

Todo mundo quer comida

Como é típico nos mercados ricos e mais maduros, americanos e britânicos dedicam menos dos seus gastos à alimentação em casa do que fazem os consumidores na maioria dos mercados emergentes. Também é cada vez mais considerável na China, onde os gastos das empresas em serviços ligados a restaurantes e alimentação só aumentam.

— A comida preparada ganha espaço nos lares mexicanos, já cereais na Índia e os molhos na China — aponta o analista. — Mesmo com a crise, que diminuiu a aquisição de certas categorias de alimentos nos dois países, o mercado conhecido como food service é enorme nos EUA e Inglaterra e ainda consegue respirar — ressalta.

Segundo o analista, produtos para uso doméstico, tais como sabão em pó e itens de limpeza, tendem a ser um dos segmentos mais fortes ao longo do período de previsão. Este crescimento será liderado pela Índia (alta de 21% ao ano entre 2013 e 2016), onde a propagação de máquinas de lavar roupa e outros aparelhos, bem como o rápido crescimento da população, está levando ao aumento da demanda. Turquia e China (ambos acima de 15% ao ano) será mercados fortes também.

— É difícil determinar quanto tempo este processo pode durar, pois, considerando China e Índia, por exemplo, que ainda passam pelo processo de urbanização e êxodo rural, a necessidade de bens “sofisticados” deve demorar ainda algumas décadas — analisa Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

A mesa dos latinos

Assim como observado nos cinco países pesquisados pela Mintel. o Brasil e os países da América Latina também observam um crescimento no consumo de bebidas e alimentos mais elaborados, principalmente aqueles que tragam mais benefícios.

Nota-se claramente este comportamento ao se observar, segundo a Kantar Worldpanel Brasil, os itens mais comprados em cada nação: bolos industrializados no Brasil; chá gelado, sobremesas frias e chocolate em barra no México; sorvetes, água mineral e congelados na Argentina e cereais, água saborizada e creme de leite no Chile.

— Meu consumo aumentou qualitativamente, em grande parte porque o emprego melhorou. Isso fez com que tenhamos conquistado um nível de vida melhor — relata a psicóloga chilena e professora universitária Narda Isidora. — Compro mais produtos congelados. É mais rápido, é mais simples, só tenho que colocar no micro-ondas e fica tudo pronto.


Fonte:http://oglobo.globo.com/economia

Data:: 16/05/13