22/05/2013-Após crime, estado proíbe entrada de policiais com arma na Pecuária

Exceção é para os agentes que estiverem trabalhando no evento de Goiânia.
Jovem morreu no último sábado depois de ser atingido por disparo de agente.


O secretário de Segurança Pública e Justiça de Goiás, Joaquim Mesquita, proibiu policiais civis e militares que estiverem de folga de entrarem com armas na Exposição Agropecuária de Goiânia. A portaria, protocolada na noite de quarta-feira (22), é uma consequência da morte de Luan Vítor Oliveira Sousa, de 20 anos, que foi baleado pelo agente Levy Moura durante um show sertanejo, no último sábado (18).
A determinação só vale para armas que pertencem ao estado. A medida prevê ainda que a fiscalização seja feita por policiais civis e militares na portaria do Parque de Exposições.
Segundo a assessoria do secretário, Joaquim Mesquita pediu um estudo para saber se juridicamente pode tomar a decisão de proibir o policial de andar armado fora do expediente de trabalho. Uma lei federal permite o porte de arma ao agente em horário de lazer.
Antes da portaria ser baixada, a Associação Brasileira de Bares de Restaurantes (Abrasel), em Goiás, tinha criticado a legislação vigente, que permite o porte de armamento fora do expediente de trabalho. "Nós somos contra que policiais usem armas quando estão em lazer, sendo em bares, restaurantes, festas em geral, boates. Não faz sentido o armamento. Temos visto que vários problemas têm acontecido nos últimos três anos com policiais", declarou o presidente da Abrasel, Rafael Campos.

Crime


A dicussão sobre porte de arma de policiais fora do expediente se intensificou após a morte do jovem Luan Vítor, no sábado (18), na Pecuária de Goiânia. O agente Levy Moura atirou no rapaz durante uma confusão no show sertanejo.
Imagens gravadas por um cinegrafista amador, que não quis se identificar, mostram como o crime aconteceu. No vídeo, três homens aparecem em luta, no meio da arena do Parque de Exposições.
O policial e o filho aparecem imobilizando o rapaz que, segundo Levy, havia roubado a câmera fotográfica da sua namorada junto com Luan. Nesse momento, um jovem de camisa branca se aproxima e dá um chute que acerta a boca do filho do policial. Em seguida, dá alguns socos.
Levy empurra o braço do agressor, que se afasta. Em seguida, Luan, que está de camisa xadrez e não aparecia até então na confusão, surge nas imagens. A vítima chega correndo e para no lugar exato onde estava o rapaz de camisa branca que agrediu o filho do policial.

Jovem é morto durante show sertanejo na Pecuária
(Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Armado, Levy levanta a cabeça e efetua um disparo no peito da vítima, que sai correndo com a mão sobre o ferimento. Luan chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital de Urgências de Goiânia. O vídeo mostra ainda que o rapaz que estava envolvido na briga foge e o policial corre atrás dele.
O jovem que tentou fugir acabou detido na delegacia que fica dentro do parque de exposições. Ele foi ouvido e em seguida liberado. No local, o agente e a namorada prestaram esclarecimentos e também foram liberados. A arma usada no crime, que pertence à Polícia Civil, ficou apreendida.
Investigação
O inquérito policial para apurar o crime foi instaurado no domingo (19). Levy Moura de Souza se entregou à polícia, na madrugada de segunda-feira, após saber que um mandado de prisão preventiva havia sido expedido contra ele. Desde então, ele está preso na carceragem da Delegacia de Homicídios.
Segundo o delegado André Botezzini, responsável pelo caso, a polícia trabalha inicialmente com a hipótese de homicídio doloso, ou seja, que Levy tinha certeza que se puxasse o gatilho, como puxou, poderia matar alguém.
No entanto, o delegado questiona o comportamento de Luan: "A gente acha estranho a situação da vítima não estar no momento da briga e se dirigir ao local da confusão, que estava afastado".
O próximo passo dos investigadores é fazer a reconstituição do crime. O pedido foi feito ao Instituto de Criminalística na terça-feira (21) e ainda não tem data para ser realizado. Ainda na terça-feira, André Bottesini ouviu pessoas envolvidas no caso e testemunhas. A Polícia Civil tem 10 dias para concluir o inquérito.
Engano
Amigos de Luan que estavam na Pecuária afirmam que ele se aproximou da briga para ver se um primo dele estava na confusão. Segundo os colegas, Luan havia ido ao banheiro quando o tumulto começou.
"Ele chegou num amigo nosso e disse: 'Toma conta do meu primo que tá tendo muita briga'. Aí ele foi no banheiro e, quando voltou, já tava tendo o tumulto. Aí, o Luan chegou, abaixou, e o policial atirou nele", relata Lucas, primo da vítima.
Familiares e amigos de Luan negam que ele tenha relação com o jovem detido suspeito de furtar a câmera fotográfica da namorada do policial. "Morreu por engano", afirmou um dos amigos da vítima, que preferiu não ser identificado.

Fonte:g1.globo.com/

Data:22/05/2013