04/10/2013-Impostos, Lei Seca e inflação salgam preços de restaurantes

A carga tributária elevada, aliada aos constantes aumentos de preços de alimentos e aluguéis e até mesmo a Lei Seca, vem refletindo no aumento do custo das refeições fora de casa e, consequentemente, no faturamento dos restaurantes. Nos últimos 12 meses, até setembro, comer em restaurantes ficou 11,43% mais caro. A alta é quase o dobro da inflação do período, que foi de 5,76%, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG).
Segundo o presidente da seção mineira da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MG), Fernando Júnior, historicamente apenas 3% dos estabelecimentos sobrevivem no mesmo endereço num período de dez anos. A tendência, observa, é a de que esse percentual se eleve ainda mais. “Todos estão insatisfeitos, tanto os proprietários quanto os clientes. Os preços aumentaram e não refletiram em resultados melhores para os restaurantes”, afirma, ponderando que o aluguel, a mão de obra e os impostos aumentam o preço dos cardápios e levam a uma falsa impressão de que o restaurante está com altos lucros, mas, na verdade, muitos nem conseguem sobreviver.

A falta de uma compensação tributária ou uma mudança na legislação trabalhista também são fatores cruciais para que os cardápios fiquem ainda mais salgados. “Com pouca mão de obra, aluguéis subindo assustadoramente e falta de regulamentação adequada, não há como repassar ao público final um preço muito baixo”, diz.


Frango salgado. Ainda segundo o dirigente da Abrasel, o setor detém margem de lucro inferior a 10% de cada prato oferecido nos cardápios. Ele aponta como exemplo o frango ao molho pardo para duas pessoas, que custa, em média, R$ 76,40. Desse valor, 26,8% são gastos com os ingredientes; 55,63% são para aluguel, luz, água e gás; os impostos detêm 9,04% do preço e a taxa de cartão é 1,81%, resultando em um lucro de apenas 6,71%.

Já num rodízio que cobra, em média, R$ 94, pelo menos 33% são destinados a ingredientes, o imposto fica com 10% do valor, 2% são voltados para a taxa de cartões e 54,73% são destinados às demais despesas, como aluguel e luz. Dessa forma, o lucro final gira em torno de 7,73%. “Com esses valores, grandes restaurantes somente sobreviverão se tiverem redes ou grupos ou se os estabelecimentos forem baseados em negócios familiares”, prevê Júnior.

O quesito aluguel também pesa significativamente no valor final das contas dos restaurantes. O empresário Beto Haddad, que mantém uma tradicional casa na região da Savassi conta que o aluguel de seu estabelecimento representava quase 12% do seu faturamento. Caso ele não conseguisse renegociar o contrato, o aumento previsto inviabilizaria seu negócio. Ele conta que o jeito foi “cortar as gorduras”, a começar pelas contas de publicidade. A alternativa encontrada, revela, foi partir para divulgação da casa nas redes sociais.


Fonte: O Tempo