07/05/12 - Restaurantes da Serra produzem a matéria-prima de seus cardápios

 

Em cidades como Petrópolis e Nova Friburgo, tradicionais estabelecimentos ligados à gastronomia ganham projeção mantendo uma prática que já faz parte da sua realidade (a produção para consumo próprio) e atendem a uma demanda que cresce no mundo todo: a busca por uma alimentação saudável. Na região, é comum restaurantes, bistrôs e confeitarias produzirem o que eles mesmos oferecem em seus cardápios. De quebra, dão aos turistas a chance de sentir os sabores da Serra em sua plenitude. Da mil-folhas da Casa do Alemão às massas do Luigi, a matéria-prima que vem do quintal garante não apenas lucros maiores (na maioria dos casos), mas também um gostinho caseiro à gastronomia local. Além de, é claro, contribuir para a preservação das receitas originais, com fornecedores e preparo exclusivos de cada um.

 



CASA DO ALEMÃO

No caminho para a Serra, aquela parada clássica na Casa do Alemão. Talvez o restaurante seja o nome gastronômico mais associado à região. Com uma opção devidamente germânica no cardápio, faz jus ao clima, à cultura e também à tradição de preparo do próprio alimento oferecido à mesa. Segundo a gerente de produção Daniele Fontaine, cerca de 95% de seus produtos são de fabricação caseira.

- São 75 funcionários ao todo. Não sei responder exatamente o tamanho da nossa produção, mas garanto que é o suficiente para atender à enorme demanda da casa - diz Daniele.

Quais são as vantagens, então, de se produzir quase tudo o que é oferecido na Casa do Alemão?

- A lucratividade é maior. Além disso, é importante lutar pela qualidade daquilo que oferecemos. Produzindo o nosso próprio alimento fica mais fácil ser fiel às receitas originais.

E foi justamente essa fidelidade às tradições que deu à marca grande credibilidade junto aos consumidores.

- Só que o crescimento não se deve somente à tradição e à fabricação própria, mas ao fato de os fundadores da Casa do Alemão continuarem representados por seus descendentes, preservando, assim, receitas e costumes originais - explica Daniele.

 



KATZ

Na Rua Monsenhor Bacelar, bem no Centro Histórico de Petrópolis, outra fábrica tradicional trabalha a pleno vapor. Pelas mãos ágeis e habilidosas de 32 funcionários circula toda a produção da charmosa Katz, loja de chocolates artesanais mais conhecida da Região Serrana (existe há 59 anos). A fábrica de Petrópolis produz, mensalmente, um total de 1,5 tonelada do doce que está entre os mais apreciados em todo o mundo.

A matéria-prima que abastece a fábrica vem da Bélgica, em parte, mas também é nacional. Não adianta perguntar a procedência. Eles não dizem. É segredo. Todo o material segue, então, para o tanque de derretimento. Depois, a substância é moldada de acordo com o item que está sendo produzido.

- Não há muita complexidade no método. Abrimos às 8h e encerramos o expediente às 18h e conseguimos, com o efetivo que temos, cumprir qualquer demanda em menos de dez horas - conta Juliana Kocourek, coordenadora de produção.

Detalhe: a Katz não faz só chocolate. Em outro andar, há fornadas de bolos, pães, croissants...

 

Fonte: Agência O Globo