14/05/12 - Empresários do interior de SP investem na nova classe média



O fenômeno de expansão poder de consumo da chamada nova classe média é uma realidade em todo país. Só no ano passado, a classe C foi responsável pela movimentação de R$1 trilhão no mercado consumidor brasileiro e de acordo com levantamento do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, esse grupo de consumidores possui metade dos cartões de crédito de todo país.

A manicure Fátima Garbuio é um exemplo desse aumento do poder de consumo. Com as facilidades do crédito pessoal, ela conseguiu montar o próprio salão de beleza, além de mobiliar e ampliar a casa. “Com esse aumento no meu crediário, consegui renovar minha linha doméstica. Troquei fogão, geladeira e até consegui ampliar um quarto na minha casa, além de uma pintura que ela estava precisando”, relata.

Esse perfil da nova classe média tem reflexo direto na postura dos empresários. De olho nessa fatia promissora do mercado consumidor, empresas do interior de São Paulo têm investido para atender às demandas desse público. É o caso do empresário Epaminondas Vaz, presidente de rede de franquias fast food, que tem restaurantes na região de Bauru (SP). Para atender o perfil da nova classe média no ramo da alimentação, ele tem investido em mudanças tanto no ambiente dos restaurantes como no cardápio. “Nós procuramos oferecer uma alimentação de qualidade, com valor nutritivo e variedade, que atende a demanda desse público, que quer comida saudável, mas, que se encaixe no poder aquisitivo”, explica.

Para isso, o empresário realizou uma pesquisa de mercado para oferecer um cardápio com as características exigidas por esse público – qualidade, variedade, valor nutricional – com um preço acessível. “Nós identificamos que a oferta de alimentação fora de casa era, na sua maioria, dividida em dois extremos: de lado os restaurantes mais sofisticados, tradicionais que oferecem o quilo da comida a R$20, R$30 e do outro as lanchonetes, trailers. Nós procuramos oferecer o meio termo de acordo com a renda real desse público da classe média, ou seja, algo em torno de R$7, R$10 o quilo, o que corresponde em média 15% do orçamento mensal desse consumidor”, completa.



Vaz ressaltou ainda que para acompanhar a aumento do poder aquisitivo da nova classe média algumas adaptações foram feitas nos restaurantes. “Fizemos mudanças no espaço físico, oferecendo mais conforto, um ambiente mais agradável, como uma extensão da casa da pessoa, além, da inclusão de pratos mais sofisticados no cardápio, uma medida que inclusive continuamos estudando para sempre oferecer uma alimentação ideal”.

A preocupação em atender bem as demandas desse grupo de consumidores não somente do empresário de Bauru. Vários empreendedores tem focado seu negócio na nova classe média, especialmente neste setor da alimentação, um exemplo disso é o Projeto ‘Alimentação Fora do Lar’ desenvolvido pelo Sebrae em Botucatu. A iniciativa, uma parceria com o sindicato do setor e a Prefeitura, tem o intuito de colaborar com a lucratividade dos empresários do setor por meio de consultorias que visem a melhora na gestão empresarial, aperfeiçoamento dos serviços oferecidos e atendimento das necessidades do consumidor.

“O objetivo é deixá-los mais preparados para se manterem competitivos no mercado, onde o novo consumidor é mais exigente em relação aos seus direitos, é atento a conhecer mais o que está comendo, está mais antenado e dispõe de recursos nas mídias sociais para comunicar suas opiniões. É um consumidor que valoriza cada vez mais a vitrinagem, o design de receitas e a exposição de produtos”, destaca Geovana Leonardo, gestora do projeto.

Ainda de acordo com a gestora, os empresários estão focados nessa nova realidade da sociedade brasileira e buscando alternativas para atender esse público.

“Existe uma expressiva adesão de representantes do setor ao projeto. E, ainda com foco neste novo consumidor da classe média o projeto vai contemplar uma amostra gastronômica , onde as empresas envolvidas oferecerão seus melhores pratos e trarão inovações, criadas exclusivamente para o evento, visando satisfazer as atuais exigências do nosso público-alvo”, completa.

 


Construção Civil

Outro setor que obteve lucro com o crescimento do poder aquisitivo da nova classe média foi o da construção civil. Oportunidades de financiamentos, facilidades de pagamento e aumento no crediário pessoal impulsionaram o mercado imobiliário. Em de São José do Rio Preto (SP), o índice de compras subiu de 55 para 57,1 pontos, entre janeiro e fevereiro deste ano, de acordo com a última pesquisa baseada na nova classe média.

Com a entrada da nova classe média como consumidores potenciais, terrenos e apartamentos estão cada vez mais fáceis de serem adquiridos e estimulam empresários a investir nos empreendimentos. Atualmente, o estoque imobiliário de Rio Preto está praticamente zerado, 96% dos apartamentos e lotes que estavam disponíveis já foram comercializados. A melhora de renda da nova classe média está provocando um novo fenômeno na região: o superaquecimento da venda de terrenos. Em Rio Preto, quase não existem mais novos lotes para serem comercializados. O parcelamento e as opções oferecidas também contribuem para este cenário de crescimento.

Na zona norte de Rio Preto está sendo construído um condomínio que, segundo investidores, o objetivo é vender para a nova classe média. Cerca de 600 lotes a partir de 200 metros quadrados foram colocados à venda, com parcelas a preços populares. “O preço está bem acessível para quem é assalariado. É um bom investimento”, afirma a secretária Natália Bento. A previsão é de que este mercado cresça nos mesmos patamares da economia, de até 4% este ano. “Temos uma cesta de oferta da área imobiliária que vai atender todas as demandas e para todos os bolsos, tanto do comprador, como dos investidores”, diz Joaquim Antônio Mendonça Ribeiro, presidente do sindicato imobiliário.

Foi também no setor da construção civil que um grupo de jovens estudantes de arquitetura viu uma oportunidade de empreendimento na área de regularização dos imóveis. “Percebemos que, com a expansão do poder compra, a classe média passou a investir na própria casa, tanto para ter maior conforto como para vender imóvel e comprar outro melhor, aproveitando o clima favorável da construção civil. Só que ao fazer essas alterações e ampliações, a pessoa precisa regularizar a situação do imóvel junto à prefeitura e o Cartório de Registro de Imóveis, precisam de um projeto, e o nosso objetivo é atender essa demanda”, explica Elder Matheus, técnico em edificações e um dos sócios do projeto.

Elder conta ainda que percebeu essa necessidade do mercado no próprio bairro onde mora em Bauru (SP). “Moro em um conjunto habitacional e essa realidade é comum, as pessoas querem ampliar a casa, fazer uma reforma e, muitas vezes me procuravam para saber se eu assinava projeto”, afirma. O negócio está em fase de busca de mercado, ações de marketing e divulgação da empresa. Elder e os sócios Carolina Rosseto, Gustavo Carmargo e Thais Batista apostam no aquecimento do setor e na demanda da nova classe média.

 

*Com colaboração do G1 Sorocaba e Jundiaí, Rio Preto e Araçatuba e Itapetininga e região