16/05/12 - Escolas de culinária na Rússia têm grande demanda e pouca oferta

O mercado russo de cursos de gastronomia sofreu uma forte contenção devido à recente crise financeira, após um período de esplendor entre 2003 e 2005. O dono da escola de culinária Pro.stranstvo, Pavel Rogojin, testemunha o fato, afirmando que “naquela época, muitas pessoas abriram escolas de culinária em Moscou. Mas depois da crise várias fecharam as portas, por isso não há mais concorrência”.

Em sua instituição, Pavel Rogojin optou pelo modelo clássico de escola de culinária europeia, em que os pratos de alta gastronomia são preparados em um ambiente de disciplina. “Temos um rígido sistema de conduta: nada de conversas alheias à matéria e telefonemas. Assim que o cliente põe o pé em minha escola, recebe ingredientes e ferramentas e fica preso ao fogão por quatro horas, trabalhando.”

As regras rígidas determinam a clientela da escola de Pavel Rogojin: gente endinheirada com mais de 35 anos que deseja aprender a cozinhar pratos requintados e deliciosos em casa. Muitos frequentaram aulas de culinária na Europa e procuram algo parecido na Rússia. E o cardápio está à altura: frutos do mar, carnes caras, molhos e sobremesas sofisticadas com ingredientes exóticos, sem quaisquer preferências geográficas. Rogojin diz que seus clientes não querem apenas aprender a cozinha italiana ou espanhola, mas, sim, aprender a preparar uma comida caseira deliciosa, pratos que não requerem habilidades especiais.

O preço médio de uma aula de culinária em Moscou se mantém, desde 2005, em valores equivalentes na faixa de R$ 250 a R$ 500. Rogojin observa que, para fugir do vermelho, seria preciso cobrar cerca de R$ 760 por aula. Mas isso, diz o chef, mataria o seu negócio.

Para manter a escola a todo vapor, Pavel Rogojin busca patrocinadores como produtores de eletrodomésticos e distribuidores de louça, além de importadores de alimentos e bebidas. Ele afirma que os gastos com alimentos absorvem de 30% a 50% da sua renda, enquanto outros 50% vão para o aluguel. Sua escola realiza até 20 eventos por mês, desde aulas para turmas de quatro a cinco alunos até festas corporativas.

Este artigo, em sua forma original, foi escrito por Ekaterina Frolova para o suplemento Rússia, o Melhor da Gazeta Russa, que circula com a edição desta quarta-feira, 16, do jornal Folha de São Paulo.

 

Fonte: Diário da Rússia