04/06/12 - Cozinheiros viram professores de culinária "em domicílio"

Primeiro, os chefs iam à casa dos clientes preparar o jantar. Agora, numa nova onda de "mestre-cuca em domicílio", além de porem a mão na massa, eles também ensinam a receita, as técnicas e a organização da cozinha. Ter o seu próprio chef em casa é mais barato, fácil e divertido do que se pensa.

Profissionais experientes, como o francês radicado em São Paulo Nicolas Barbé, ex-chefe da equipe de treinamento do restaurante três estrelas "Michelin" Alain Ducasse au Plaza Athénée, cobram R$ 249 por pessoa (se for um casal) para quatro horas de aula em casa.

A lição é finalizada com um jantar em que são cobrados mais R$ 39 por convidado, com todos os ingredientes incluídos no pacote, até o sal.



"Muita gente faz escola de gastronomia, mas acaba não praticando porque não tem uma cozinha equipada como a da escola. Foi pensando nisso que montei o curso", diz.

FEIRA

Outros chefs, como a dupla Victor Contreiras (com passagens pelos famosos Remanso do Peixe, em Belém, e Paraíso Tropical, em Salvador) e Daniela Ferreira (ex-Tordesilhas e ex-Arturito), cobram R$ 125 a hora/aula e a conta da feira, se tiverem de levar os produtos.

"Uma ideia é o cliente ir às compras conosco para aprender a comprar os ingredientes da época, bem frescos", afirma Contreiras.

Uma das vantagens das aulas de culinária em casa é que todos os chefs trazem até os utensílios. Mesmo quem tiver apenas o básico, como pratos, copos e talheres, não precisa se preocupar.

No treino, lições elementares de como empunhar uma faca e não desperdiçar nada -como a carcaça dos camarões, reaproveitadas no molho "bisque", base de um risoto servido no jantar.

Também francês, Julien Mercier, que já passou por um dos badalados restaurantes de Pierre Gagnaire e hoje trabalha no Mocotó, faz um serviço personalizado.

"Decido o que será ensinado a partir do que o cliente gosta de comer", diz.

GELADEIRA

Paula Labaki, dona de bufê, prefere trabalhar com cursos já formatados, como o de cozinha sustentável - em que ensina a evitar o desperdício - e o que ela chama de "fundo de geladeira".

"Chego na casa do cliente, abro a despensa e ensino a cozinhar com o que tem ali."

Das aulas que já deu em casa, lembra-se de uma em especial. "Um cliente queria preparar um jantar para uma pretendente. Ensinei, ele preparou, ela gostou, e hoje eles estão casados", conta Labaki.

E até hoje dá aulas de cozinha aos dois namorados. 

Fonte: Folha