04/06/12 - Gestão de pessoas é fator crítico em processos de fusão e aquisição

As fusões e aquisições estão em ritmo acelerado no Brasil. Somente nos  últimos dias já foram mais de 19 negócios fechados que movimentaram mais de R$ 10 bilhões. Nas situações em que duas empresas se unem, um dos pontos críticos do processo é a gestão de pessoas. Se mal gerenciado, o “lado humano do M&A” - como costuma ser chamado pelos consultores de RH - pode gerar perdas de produtividade estimadas em até 30%.

A falta de um planejamento estratégico eficiente de como o processo de fusão ou aquisição será comunicado, tanto para os funcionários quanto para o público externo, é um dos principais fatores causadores da queda na produtividade. José Augusto Figueiredo, vice-presidente de operações da consultoria LHH/DBM para Brasil e América Latina, explica que se há baixa no rendimento da equipe, a retomada aos níveis pré-fusão pode demorar até seis meses. “É natural que as pessoas ‘puxem o freio de mão’ pelo estado de cautela que a situação causa”, diz Figueiredo.

Segundo ele, em um primeiro momento, quando toma conhecimento da negociação, o colaborador leva um susto e sente uma perda, que pode levar à desorientação se a comunicação for mal-feita.



Para evitar o problema, Figueiredo recomenda abrir espaço para perguntas dos funcionários e comunicar claramente o que está acontecendo. Mesmo se não há novas informações, vale, segundo ele, enviar um comunicado dizendo que até o presente momento não há nenhum novo fato relevante. “É fundamental manter coerência entre as informações passadas para o público interno e o externo”, ressalta o consultor.

Augusto Sales, sócio da área de transaction services da KPMG no Brasil, diz que a comunicação geral deve informar sobre os benefícios do negócio e que os primeiros cem dias após o anúncio da fusão ou aquisição são cruciais. “É nesse período que se faz uma análise da operação e das pessoas e nessa fase deve-se mitigar a resistência à fusão, mostrando à equipe que a transação é benéfica inclusive para os funcionários”, afirma.

Nos cem primeiros dias, Sales diz que é comum as empresas fazerem um inventário de talentos e de pessoas-chave que não podem deixar a companhia. Nesse momento os gestores podem detectar duplicidade de cargos, o que ocasiona demissões em algumas situações. “Nesses casos, a área de recursos humanos deve conversar individualmente”, diz o sócio da KPMG.

Sobre a cultura corporativa, Sales comenta que o mais comum é prevalecer a mais forte. Por “mais forte” entende-se a cultura a que os funcionários mais aderiram. “Mas se o negócio envolve uma empresa muito maior que a outra, normalmente a cultura da maior prevalece”, diz.

O forte ritmo de fusões e aquisições no país acontece no mesmo momento em que entra em vigor a lei que cria o chamado “SuperCade”, determinando que as operações sejam submetidas à aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

Apenas para citar alguns dos negócios anunciados esta semana, o BTG Pactual comprou a varejista Leader por R$ 1,07 bilhão, houve a fusão das companhias aéreas Azul e Trip, a Cosan, a Camil e a Gávea Participações se associaram criando uma nova empresa de alimentos de peso no país e a Diageo, maior fabricante mundial de uísque, pagou R$ 900 milhões para se tornar dona da marca de cachaça Ypióca.

Fonte: Valor Econômico