11/06/12 - Gastronomia oferece ampla área de atuação

De olho nas oportunidades a serem abertas com a realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil, muita gente procura se qualificar para atender à demanda da cadeia turística nacional, que promete crescer de forma substancial nos próximos anos. Existem, atualmente, cerca de 740 instituições de ensino no País atentas para a movimentação do setor hoteleiro.

Segundo levantamento do Ministério do Turismo (Mtur), o Brasil deverá receber até 2014 cerca de R$ 11 bilhões em investimentos para a construção de 266 novos hotéis, que garantirão reforço na hospedagem de 600 mil turistas estrangeiros e de pelo menos 3 milhões de brasileiros, que escolherão como roteiro turístico uma ou mais das doze cidades-sede da Copa.

Douglas Marçal


Gleison Rangel e o chef de cozinha do curso do Senac, Tiago Csucsuly. Prato do dia: risoto de camarão

O MTur prevê que 2 milhões de novos empregos (formais e informais) sejam criados no território nacional nos próximos anos para atender ao crescimento do segmento. Só no Estado, dados da Associação Comercial do Paraná (ACP), apontam para a abertura de 46 mil vagas no setor hoteleiro, gastronômico e comercial até 2014, em função da Copa do Mundo, um crescimento de 50%. 

O comércio paranaense emprega atualmente 80 mil pessoas, enquanto bares, restaurantes e hotéis somam 12 mil trabalhadores. Para dar conta da expansão, um dos principais desafios será a qualificação de profissionais.

O panorama do ensino em Gastronomia, Hotelaria e Turismo é muito sensível ao mercado, pois sempre que há um grande investimento nos negócios dessas áreas, os cursos recebem um aumento na procura. Entretanto, o de Gastronomia foi o que mais esteve no auge, nos últimos anos. 

De acordo com Marcos Roberto Mantovani, coordenador do curso oferecido pelo Cesumar, o mercado está em alta, tanto dentro como fora do País. "A oferta de vagas ultrapassa a fronteira das regiões tradicionais pela história e cultura. Há uma série de novos lugares que está sendo explorada e descoberta pelo exotismo", afirma.

Mantovani destaca que o crescimento do segmento, no entanto, tem uma característica específica. "A ascensão do mercado está mais seleta e exigente", ressalta. Com essa constatação, ele avalia que a necessidade de uma formação superior é cada vez maior e, em alguns casos, a contratação só ocorre mediante a conclusão de uma pós-graduação.

Para ele, quando se escolhe essa profissão, é necessário definir qual é a meta e o ganho que se quer obter. "Sempre haverá vagas para bons profissionais, mas as melhores oportunidades estão reservadas para quem mantém uma trajetória de formação continuada", justifica.

Para os interessados em ingressar na profissão, o investimento, médio, na graduação, com duração de 2,5 anos, é de R$ 700,00, por mês. Já uma pós, dependendo da instituição, varia entre R$ 500 e R$ 2 mil, mensais.


Rápidos
Outra opção é frequentar os cursos de cozinheiro ou de confeiteiro oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Com 800 horas/aula de duração, o investimento para se formar em cozinheiro é de R$ 5.920. A duração do curso de confeiteiro é de 500 horas/aula, a um custo de R$ 3.300. Em ambos os casos, as atividades podem ocorrer todos os dias ou só três vezes por semana.

Dono há 14 anos de um Buffet na cidade de Cruzeiro do Sul (a 69 quilômetros de Maringá), Gleison Rangel, 42 anos, decidiu incorporar a função de cheff de cozinha. "Quando a gente é dono do próprio negócio, saber mandar só não basta, é preciso saber fazer", alega o empresário que se diz motivado com as novas perspectivas do mercado gastronômico.

Há um ano, ele frequenta as aulas do curso de cozinheiro do Senac e garante que a cozinha deixou de ser, e faz é tempo, lugar só das mulheres."Todo homem gosta de ter um pé na cozinha, a profissão de cheff gourmet veio para quebrar paradigmas", opina.

Já para os interessados em se graduar em Hotelaria, em Maringá, a saída é frequentar o curso de Bacharelado em Turismo, oferecido pelo Cesumar. Há um porém, no entanto.

Desde 2011, não foram abertas novas turmas, por causa do número de matrículas efetivadas "não atenderam aos critérios estabelecidos pela instituição para a sustentatibilidade econômica de uma turma de ingressantes", declara o turismólogo e coordenador do curso, Alisson Bertão Machado.

De acordo com ele, embora o turismo de negócios evolua significativamente no município de Maringá, parece que as pessoas estão na contramão do interesse que há nos grandes centros, pela busca da qualificação, por meio do ensino superior. "O desinteresse ocorre por dois motivos principais. 

Primeiro, porque o aluno do ensino médio desconhece o campo de atuação profissional do turismólogo. Segundo, porque o mercado não oferece uma remuneração adequada ao profissional recém-formado", explica o coordenador.

Machado afirma que essa tendência tem se registrado no Brasil de um modo geral. A demanda por cursos de Turismo e Hotelaria diminuiu enquanto Gastronomia aumentou, tendo em vista as oscilações do mercado, novas opções de carreiras e temas que ficaram em evidência.

"Hoje, as notícias de novos investimentos no setor reabrem as oportunidades para a qualificação de pessoal, contudo a modalidade de cursos técnicos é mais visada, porque reage mais rapidamente", alega.

 

Fonte: O diario.com