02/07/12 - Educadora alimentar apresenta gastronomia sem forno e geladeira




Culinária verde utiliza sementes, brotos e vegetais para criar pratos saborosos e nutritivos

 

“Já pensou fazer um bolo sem ovos, manteiga, farinha, açúcar e leite?”, pergunta a educadora alimentar Juliana Malhardes, antes de emendar a resposta que mais recebe: “E sobra o quê?” A proposta é mesmo diferente. Há sete anos, Juliana pratica a alimentação viva — um cardápio em que só entram sementes, brotos e vegetais crus ou in natura.

Advogada de formação, Juliana deixou o escritório e as petições para orientar mudanças de hábito nas pessoas. De sua casa em Itacoatiara, ela oferece consultoria individual, workshops e até acompanhamento à distância, via Skype, com dicas que vão do cultivo correto das sementes à elaboração de receitas saborosas e saudáveis. Segundo ela, a culinária viva é tão nutritiva que os ganhos pessoais se multiplicam. Melhora a pele, os cabelos, o humor, a energia e a saúde. E cura até problemas na tireoide.

É com ingredientes diferentes que Juliana prepara uma torta de banana: sementes de girassol germinadas, banana-passa, cacau e canela. Sem precisar ser levado ao forno (a culinária viva não cozinha nem congela os alimentos), o doce fica pronto em dez minutos, tempo em que Juliana se dedica a listar os benefícios da culinária viva.

— São alimentos desintoxicantes e altamente vitalizantes. Eles limpam e nutrem o corpo. Então, a pessoa experimenta melhoras na digestão, na agilidade mental, na redução de peso, no humor, na qualidade da visão e da memória, além de afastar a possibilidade de uma série de doenças desde dores de cabeça e problemas de pressão arterial até diabetes e câncer — diz.

 

Hábito saudável cura descontrole emocional

Devido a uma doença que a ceramista Cris Alves procurou os serviços de Juliana, há dois anos. Com o hipotireoidismo decorrente de um erro médico, Cris passou a praticar a culinária viva. Na época, ela sofria com as constantes variações de humor.

— Eu me sentia carente com frequência. Mas esse descontrole emocional é coisa do passado. Hoje seu estou curada — explica a ceramista, que todos os dias pela manhã toma um copo de leite de coco germinado com nozes. — Ele me dá muita energia. Bebo e vou nadar dois mil metros.

A iniciativa de Cris teve eco em sua própria casa. Seu filho, um jovem de 17 anos que vivia às voltas com problemas de obesidade, encontrou na alimentação viva a solução para o sobrepeso.

— Eu o levei a uma nutricionista pela primeira vez quando ele tinha 8 anos. Hoje ele continua gostando de ir ao McDonald’s e de tomar Ovomaltine uma vez ou outra, mas passou a beber também o suco de salsão e a levar marmita com vegetais para a escola. É uma alimentação mais equilibrada, que acabou com os quilos extras — afirma Cris, que diz que o suco verde devolve a sensibilidade do paladar.

Fisgar o interessado pelo paladar é uma estratégia. Para Juliana, o gosto é, sem dúvida, um atrativo poderoso.

— A culinária viva tem o sabor da alta gastronomia. Mesmo quem não gosta de vegetais, vai saborear o paladar — afirma Juliana, que prepara iguarias como a farofa de gergelim com farinha de aipim, cebola e cenoura; e a lasanha de abobrinha e queijo feito de amêndoas.

Outra tática da educadora alimentar é introduzir a mudança aos poucos.

— Se você diz que não pode comer carne, as pessoas logo imaginam que vão ter que deixar de frequentar o churrasco com os amigos. Isso dá uma sensação de tristeza, e a ideia é logo rejeitada. Então não oriento a deixar de comer nada. Vai ser um processo natural — diz.

A nutricionista paulista Daniela Lisboa é pesquisadora em saúde pública e veio até Niterói conhecer a culinária viva praticada por Juliana. Segundo ela, as pessoas perderam o hábito de produzir e preparar o próprio alimento.

— Nós compramos comida congelada ou pronta no restaurante. Toda a produção fica mascarada para nossos olhos, e o que os olhos não veem o coração não sente. Essa postura faz com que as escolhas dos alimentos que nutrem o nosso corpo sejam apenas pelo sabor e a praticidade, o que se tornou o motivo da muitas doenças atuais. Estamos morrendo pela boca — alerta Daniela.

 

Fonte: O Globo - Niterói