Gastronomia internacional diversifica os cardápios dos quiosques da orla

Cozinhas portuguesa, italiana, francesa, americana, árabe e brasileira estão se espalhando do Leme a São Conrado.

Luzes de neon ajudam a criar o ambiente do bistrô francês, o Très, em frente à Rua Siqueira Campos

 

RIO - Alguns atravessaram milhares de milhas desde o Norte até o Sul do Atlântico. Outros vieram de mais longe ainda, do Oceano Índico. Não importa de onde, o certo é que nos últimos anos as cozinhas portuguesa, italiana, francesa, americana, árabe e brasileira estão se espalhando pelos quiosques do Leme a São Conrado, transformando a orla da Zona Sul do Rio numa espécie de novo porto da gastronomia carioca.

Além da beleza natural que atrai milhões de pessoas por ano, os quiosques oferecem cada vez mais um cardápio variado em cores, sabores e valores, que vai desde os tradicionais cocos gelados — vendidos nos primeiros pontos que ali chegaram há 20 anos com o projeto Rio Orla — até os badalados importados, como o champanhe Dom Pérignon. Há ainda as campeoníssimas vodcas Tito’s, do Texas, e a polonesa Stolichnaya Ultimat, usadas na produção das famosas e coloridíssimas caipirinhas do Quiosque do Português, no Leblon, que desde o último dia 28, foi imortalizado como bem de natureza imaterial da cidade do Rio, em decreto do prefeito Eduardo Paes.

No decreto municipal, Paes argumenta que o estabelecimento foi o primeiro a privilegiar a boa gastronomia na orla carioca e é “especialmente conhecido por sua culinária e drinques”.

— O público quer alguma coisa diferente, outros sabores que não aqueles primitivos. Estamos no principal cartão-postal da cidade e devemos acompanhar essa tendência, apresentando ao público uma gastronomia diversificada — afirmou Manoel Alves, dono do Português.

Filho de portugueses, em 2002, Manoel decidiu abrir com o filho, Carlos Soares, um quiosque na altura da Rua José Linhares, onde trabalhariam com vinhos e embutidos de sua terra natal. As dificuldades operacionais para a importação dos produtos e os pedidos da clientela foram modificando o projeto e, dessa fusão luso-carioca, surgiram as já famosas caipirinhas do português, um cardápio modificado a cada quatro meses, que inclui uma dúzia de frutas e um punhado de especiarias, além de 32 marcas de vodca, duas de cachaça e até cervejas. O quiosque tem ainda uma carta com 20 vinhos portugueses. Acompanham a bebedeira, os pastéis de bacalhau (em brasileiro, bolinhos), as delícias de camarões, queijo camembert crocante, entre outros quitutes. Todo esse arsenal num espaço apertadíssimo de dois metros quadrados.

O espaço — ou a falta dele — foi o problema também enfrentado pelo quiosque Gavea Beach Club and Fun, dos irmãos italianos Jolanda e Maurizio Ruggiero, de Nápoles. Trabalhando e morando em São Conrado, Maurizio teve a ideia de abrir um restaurante italiano entre o mar e a paisagem do Gavea Golf e convocou a irmã para assumir o projeto:

— Estamos enfrentando alguns desafios para encaixar a cozinha, inclusive vamos fazer mais algumas alterações para a colocação de mais um fogão. Afinal, somos italianos e para nós não existe massa pronta. O que fazemos é deixar sempre uma panela de água fervendo — comentou Jolanda.

Segundo ela, o cardápio napolitano tem muito em comum com o clima da cidade:

— Nós também somos de uma região de praia e nossa culinária é de peixes assados, molhos de ervas e massas frescas. Trouxemos para cá também um drinque típico, o spritz, que é feito com o Aperol (licor de ervas), prosecco, uma rodela de laranja e água gasosa ou clube soda. É importante que os quiosques ofereçam alternativas gastronômicas para a população, desde lanches rápidos até jantares mais elaborados — afirmou.

Descendo a orla até a altura da Rua Siqueira Campos, em Copacabana, está o Très, um bistrô dos irmãos franceses Ludovic Walter e Pierre Yves Cossu. Ali é possível degustar da iguaria que de tão típica deu nome ao personagem do desenho animado em homenagem aos mestres da culinária francesa: o ratatouille, prato rústico, da região da Provença, à base de berinjela e tomates. Mas o carro-chefe são os tradicionais crepes.

— Nós somos do Sul da França. Quando chegamos pensamos e montar um restaurante em Petrópolis, mas, quando surgiu a oportunidade, vimos que aqui era perfeito — afirmou Pierre.

Aos domingos o Très torna-se uma espécie de colônia francesa, com direito a pratos típicos e confraternização.

Redes já se adaptaram ao espaço

O porto orla não recebe apenas voos solos da gastronomia. Algumas das grandes redes já fincaram âncora às margens dos oito quilômetros entre o Leme e o Posto Seis, em Copacabana. Exemplo disto foi a Coca-Cola que abriu em dezembro passado seu primeiro ponto de venda instalado no Brasil. Além dos produtos da empresa, são oferecidos os famosos hot dogs, incluindo o picante, o Picadilly (com rosbife, cheddar, alface e tomate) e o Meat Lovers com rosbife, peito de peru, salame e cheddar. A decoração, em vermelho e branco, tem mobiliário feito a partir de pet reciclado.

Outra rede que se espalhou pela orla foi a Brahma. São cinco quiosques espalhados ao longo da Avenida Atlântica, entre as ruas Fernando Mendes e Almirante Gonçalves, que oferecem um variado cardápio de petiscos para degustação. A cadeia Habib´s também mantém um espaço na altura do Copacabana Palace. A pizza in cone abriu três filiais na praia, na altura das ruas Djalma Urich, República do Peru e Rua Santa Clara.

A orla também tem uma variedade de quiosques de comida brasileira

Alguns quiosques oferecem terminais bancários, posto de atendimento ao turista e, segundo a Orla Rio, que administra o corredor desde o Leme até a Praínha, serão inaugurados serviços oferecendo atividades multimídias e interativas para o público. No início de agosto, está prevsita a inauguração do quiosque Rio Nextel, em Copacabana.

 

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/gastronomia-internacional-diversifica-os-cardapios-dos-quiosques-da-orla-5420899