17/2/2012 - Goianos vão beber 230 milhões de litros de cerveja

 

 

Projeção para este ano indica alta de 12% em relação aos 205 milhões de litros consumidos no ano passado. Cresce consumo de cerveja em Goiânia, que conta com 11 mil pontos de venda do produto

Por Sônia Ferreira

 

Renato Conde

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As chuvas que caem em Goiânia, sempre nos finais de tarde desde o início de novembro, se estão ajudando a amenizar o calor do verão, também estão afetando o consumo de cerveja nos bares e restaurantes. Segundo os empresários do setor, a chuva afasta os frequentadores dos bares, fazendo o movimento cair até 50% na comparação com os dias mais quentes e de tempo firme.

No ano passado, o consumo cresceu em Goiás cerca de 12% na comparação com igual período de 2010. Foram 17,1 milhões de litros/mês ou 205,2 milhões de litros no ano, de acordo com dados do diretor de Vendas e Marketing do grupo ReGra Logística (uma das maiores distribuidoras de cerveja do Brasil), Wylo Magalhães. Este ano, a expectativa é que o mercado continue avançando entre 8% e 12%, ou seja, caso se confirme a estimativa, os goianos vão beber 230 milhões de litros de cerveja em 2012.

Mas apesar do problema climático do momento, Goiânia continua entre as cidades que mais consomem cerveja no País. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Regional de Goiás (Abrasel-GO), Rafael Campos Carvalho, na capital goiana existem 11 mil pontos de vendas de refeições fora do lar, o que coloca a cidade como a líder no ranking das cidades brasileiras com maior número de bares por habitante.

As entidades que representam os fabricantes e donos de bares e restaurantes não dispõem de estatísticas que mostram o consumo per capita de cerveja em Goiás ou em outros Estados. Mas informam que a média nacional é de 64,4 litros/ano por habitante. O funcionário público estadual Cláudio Lobo Krupok, como filho de alemão, é um grande apreciador de cerveja, esteja o clima quente ou frio. Ele conta que quase todos os dias, se reúne num bar, no Setor Sul, após o expediente, com os amigos para beber e bater papo. “Meu pai já dizia que a cerveja é um pão líquido, contém lúpulo e cevada e alimenta o organismo e o ego.”

No mercado de cerveja, o Brasil, com consumo de 10,34 bilhões de litros/ano, só perde, em volume, para a China (35 bilhões de litros/ano), Estados Unidos (23,6 bilhões de litros/ano) e Alemanha (10,7 bilhões de litros/ano). O consumo da bebida está crescendo a uma média de 19% ao ano, segundo dados do Sindicato Nacional das Indústrias de Cervejas (Sindicerv).

Transferência

Em Goiânia, ao contrário do que ocorre em outras cidades que têm tradição de festas carnavalescas, no período dos festejos do Rei Momo, de hoje até terça-feira, o consumo de cerveja despenca. Já em cidades como Caldas Novas, Cidade de Goiás, Pirenópolis, Três Ranchos, São Simão, Jaraguá, Porangatu e outras, que promovem festas, o consumo chega a aumentar até 40%.

Em Goiânia, tradicionalmente, os meses de maior consumo de carveja são dezembro, por causa das festas de fim de ano, outubro e novembro, por causa do calor. Conforme dados da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e do Sindicerv, a cada grau Celsius a mais na temperatura o consumo do produto cresce 0,28%.

Segundo o empresário Fernando Machado, do Celsinho e Cia, nas cidades que não têm mar, como Goiânia, as pessoas então vão para o bar. Ele observa que com a Lei Seca caiu um pouco o consumo de bebidas alcóolicas no Estado, mas, mesmo assim, ainda é alto. O Celsinho, no Setor Oeste, vende em média 440 caixas, com 24 garrafas de cervejas, por semana. Essa é também é a mesma quantidade vendida pela Casa de Carne de Sol 1008, no Setor Pedro Ludovico.

No ano passado, de acordo com dados das entidades representativas das indústrias de cervejas e dos bares e restaurantes, além de mais gente comprando cerveja, o brasileiro passou a beber mais. Segundo pesquisa da Euromonitor, o Brasil passou de 48º colocado no ranking global de consumo para 23ª posição. O crescimento acontece mesmo com os preços da cerveja sofrendo reajustes acima da inflação. Conforme o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Secretaria estadual de Gestão e Planejamento (Segplan-GO), a cerveja teve alta de 10,07% nos últimos 12 meses e o índice da inflação do período ficou em 7,27%.

Fonte: Jornal O Popular