12/03/12 - Em dois anos, 12,5 milhões vão chegar à classe C

A estimativa consta dos resultados da pesquisa De Volta ao País do Futuro, divulgada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas

Nos próximos dois anos, 12,5 milhões de pessoas entrarão na classe C e 6,5 milhões vão chegar às classes A e B. De acordo com o estudo, as classes A e B somadas vão crescer 29,3% no período, mais do que o crescimento de 11,9% previsto para a classe C. "A classe AB já cresceu, mas vai crescer muito mais rapidamente do que a classe C até 2014", prevê o economista Marcelo Neri, coordenador do levantamento, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Daqui a pouco, vamos estar falando da nova classe AB como se fala hoje da nova classe C", afirma ele.

A pesquisa mostra que, em pouco mais de duas décadas, o Brasil deve multiplicar por 2,3 vezes o tamanho das classes A e B somadas. Em 1993, antes da estabilidade econômica, as duas classes juntas somavam 8,8 milhões de pessoas. As mudanças na pirâmide de classes brasileiras projetadas pela pesquisa estimam que, entre 1993 e 2014, 20,2 milhões de pessoas entrarão nas classes A e B.



No mesmo período, outros 72,3 milhões de pessoas devem chegar à classe C, número 1,5 vez maior que os 45,6 milhões que estavam na classe C em 1993. Para Neri, as duas últimas décadas foram notáveis para o crescimento do País e a diminuição da desigualdade depois da chamada década perdida, como ficou conhecido o período da década de 1980 e do começo da década de 1990.

Para o economista, a estabilidade econômica proporcionada pelo Plano Real e o crescimento com distribuição de renda que houve no Brasil, somados à melhora nos níveis de educação da população nas duas últimas décadas, são responsáveis pelo progresso atual. "O que muda o Brasil é fazer mais do mesmo", diz o economista. Entre 2003 e 2011, a média de anos de estudo entre os homens cresceu 13,1%. Entre as mulheres, esse aumento foi de 12,3%.

"A desigualdade social no Brasil está no piso de sua série histórica", afirma Neri. O levantamento divulgado indica que a desigualdade no Brasil vem caindo por 11 anos consecutivos.

Fonte: Valor Econômico