24/09/2012 - Brasileiro é acusado de usar informação privilegiada sobre o Burger King nos EUA



Brasileiro de 42 anos está sendo acusado de usar informações privilegiadas, que obteve através de um cliente que atendia no banco, para lucrar com ações da rede de fast food americana, Burger King. Confira a notícia completa.


Brasileiro é acusado de usar informação privilegiada sobre o Burger King nos EUA


Um brasileiro de 42 anos está sendo acusado pela SEC, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) norte-americana, de usar informações privilegiadas para lucrar com ações da companhia Burger King nos Estados Unidos em 2010.

Em decisão divulgada na quinta-feira, uma corte em Nova York acatou o pedido do órgão americano e ordenou o congelamento do patrimônio do executivo brasileiro, que trabalhava para o banco Wells Fargo, em Miami, na época da transação com os papéis da cadeia de fast food.

De acordo com a investigação da SEC, o acusado soube que o fundo 3G Capital, controlado por empresários brasileiros, planejava comprar o Burger King meses antes da conclusão e do anúncio oficial da transação, em setembro de 2010.

Ele obteve a informação por meio de um cliente que atendia no banco e que, por sua vez, era um dos investidores do fundo 3G Capital.

Ao saber da notícia, o funcionário do banco negociou ações da companhia, entre maio e setembro de 2010, obtendo lucro de US$ 175 mil, ainda de acordo com a SEC.

Além de usar a informação para fazer operações em seu nome, o brasileiro teria aconselhado quatro clientes a negociarem os papéis do Burger King na bolsa americana.

Em um dos e-mails interceptados pela SEC, que fazem parte da denúncia, o acusado teria dito a um de seus clientes no banco, um gestor de fundos de hedge: "Estou no Brasil com uma informação que não dá para mandar por e-mail...É imperdível".

O lucro combinado do acusado e desses clientes com as transações na bolsa chegaria a US$ 2 milhões.

ABANDONO

Segundo informações da SEC, o acusado abandonou seu emprego nos Estados Unidos no último dia 13 de setembro. Desde maio deste ano, o brasileiro trabalhava para o banco Morgan Stanley Smith Barney.

Nas últimas semanas, ele também teria colocado sua casa em Miami à venda e transferido todos seus bens para fora dos Estados Unidos.

"Os e-mails e outras comunicações podem ter sido enviadas do Brasil e escritas em português, mas nosso comprometimento em julgar o uso de informações privilegiados nos mercados
dos Estados Unidos não conhece barreira geográficas nem de língua", afirmou Sanjay Wadhwa, um dos representantes da SEC em Nova York.

Após o congelamento de bens do brasileiro, feito para impedir que transfira seu patrimônio para outros países, a SEC diz que continuará as investigações.

A CVM informou estar colaborando com as investigações do órgão. No entanto, disse que não comenta casos específicos.


 

Fonte: Bol - 22/09/2012